terça-feira, 18 de outubro de 2016

Thiago sobre Ciro: ‘Representa a crise moral e ética que vivemos’

De herói nacional, numa curta participação em “Liberdade, liberdade” como Tiradentes, a um sujeito inescrupuloso, que guarda segredos envolvendo o principal núcleo familiar de “A lei do amor”. Thiago Lacerda não considera Ciro, seu personagem na novela das nove, um vilão. Prefere defini-lo como uma vítima de si mesmo, de sua própria e desmedida ambição.
— O interessante para mim é imaginar que Ciro é um cara legal, talentoso, inteligente, que batalha para ser reconhecido e que, em algum momento, fez escolhas que o levaram a um lugar do qual não consegue voltar atrás — observa o ator, que ainda insere o personagem no atual panorama político do país: — Ciro representa essa crise moral e ética que vivemos. Ele é o tipo que considera que os fins justificam os meios, que vale tudo para chegar lá. É bastante imoral, antiético.
Tão misteriosa quanto a origem e a história de Ciro — ele vive ao celular falando com pessoas que ninguém sabe quem são — é sua capacidade de se articular para atingir seus objetivos sociais e financeiros. De Fausto (Tarcísio Meira), cujo atentado sofrido pode ter a ver com seu “homem de confiança”, revelou ter recebido cem mil dólares para se casar com Vitória (Camila Morgado).
— Essa relação com ela é um pouco por interesse, um pouco por pena. Talvez haja ali prazer, sexo, não sei — supõe o ator, que retoma a parceria com Camila: — É curioso repetir o par romântico de “A casa das sete mulheres” (2003). Ela é uma atriz deslumbrante, divertidíssima, uma grande colega!

Em “A lei do amor”, Thiago Lacerda e Camila Morgado retomam a parceira de “A casa das sete mulheres”
Em “A lei do amor”, Thiago Lacerda e Camila Morgado retomam a parceira de “A casa das sete mulheres
 
Na mansão dos Leitão, ele também reencontra Grazi Massafera. A intérprete da aloprada Luciane estreou na teledramaturgia ao lado do ator, em “Páginas da vida”, há dez anos.
— Acompanhei muito de perto o sofrimento dessa menina, querendo vencer, batalhando para conseguir o lugarzinho dela. Grazi passou por muito preconceito até ser reconhecida, e está num caminho interessante como atriz. Discutir se é bonita ou gostosa é dar linha na pipa errada. O carisma que ela tem não se adquire em academia — elogia o ator, há muito apontado como galã: — Nunca me preocupei se as pessoas me achavam bonito ou feio, bom ou mau ator. Sempre entrei em cena e dei o meu melhor. Uma maneira de lidar com o preconceito é passar por cima dele.
Agora, com um papel de perfil tão obscuro, Lacerda acha pouco provável que o público, em algum momento, torça por ele.
— Não tem como, Ciro é bem errado. Mas se identificar com o personagem é muito possível. Ele está entre nós, é real. Não me inspirei em alguém de verdade para construí-lo, mas busquei referências ficcionais. A série “House of cards” está cheia desses tipos. Ali tem pessoas interessantíssimas!

Fonte: Extra