terça-feira, 7 de maio de 2013

Entrevista Thiago Lacerda

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Nesta última sexta-feira, o ator Thiago Lacerda esteve aqui em Recife para estrelar a montagem Hamlet, no Teatro Santa Isabel. Ele aproveitou um pequeno intervalo para almoçar no It Bistrô e, claro, bater um papo rápido para o Ju Santos. Durante o almoço, Thiago mostrou fotos dos filhos em seu iPhone, além de um vídeo do Gael tocando bateria. Também contou algumas curiosidades de bastidores, com gestos e entonações típicos de um ator. Simpático e super falante, não foi difícil conduzir uma conversa com ele. Segue o nosso papo:
O que te dá mais prazer: teatro, novela ou cinema? O que me dá mais prazer é uma prainha no início do dia… [risos]. Brincadeiras à parte, gosto de fazer os três. Sou um ator e acho que todo ator precisa passear por todos os lugares. Comecei a minha carreira na televisão e descobri que o teatro é o grande caminho do ofício e o cinema é uma maravilha, um negócio apaixonante, inebriante. Então não tem como escolher, eu não acho que eu deva escolher, eu gosto da ideia de trabalhar em todas as vertentes.
Você disse que gosta de uma praia no início do dia… O que você curte fazer nas horas livres? Basicamente, eu tenho uma rotina dedicada aos meus filhos. Quando sobra tempo, eu me dedico a minha mulher… E, mais uma vez, quando sobra tempo, gosto de praia, cinema… Também gosto de jogar futebol, mas nada mirabolante, não tenho hábitos fantásticos, sou muito simples. Gosto de ficar no mato, gosto de ir pra serra, sentir frio, ficar no silêncio, ouvir música, tomar um bom vinho.
Como você definiria o Thiago Lacerda como pai? Ah, eu amo demais os meus filhos, faço questão de estar com eles e acho que essa é a grande brincadeira de ter filhos, né? É dedicação! Eles consomem um tempo e uma energia inacreditáveis. Eu me pego vivendo a vida dos meus filhos. Meu filho vai fazer 6 anos agora, e minha filha tem 3. Eu fico querendo ser muito atento, procuro ouvir bastante eles, perceber cada um de um jeito, fico querendo proporcionar coisas, oferecer oportunidades muito mais do que dar alguma coisa. Essa ideia de fazer com que eles vivenciem as suas próprias experiências me bate como uma coisa boa. De deixar pra eles conhecimento, vivência, experiência, muito mais do que uma coisa material.
O que a interpretação de Hamlet trouxe de maior aprendizado na sua carreira? Bom, é a maior história do teatro ocidental, é o lugar onde todos os atores mergulham e encontram um material tão generoso e tão infinito… Acho que é um momento que só não é o topo porque as coisas precisam caminhar depois, mas é uma maravilha tão grande e indescritível como objeto de trabalho. O Hamlet é uma grande ideia, e como material de trabalho, talvez seja uma pérola. É algo que você só descobre investigando, mergulhado lá dentro, é como se fosse uma sala de encantamento. A peça me trouxe muita coisa… eu posso falar dos benefícios que isso tem na minha carreira, do ator melhor que eu sou hoje depois de ter passado por isso… Enfim, acho que é até redundante eu ficar falando que o Hamlet transforma, porque transforma mesmo. E o maior benefício é a conexão inevitável que ele promove do ator com o seu ofício, sabe? Com a ideia de que todo ator precisa passar por aquele lugar ali, sabe? Pra redirecionar alguma coisa, pra se transformar. Hamlet é uma experiência de transformação humana.
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Como está sendo a aceitação do espetáculo pelo público e pela crítica teatral? A melhor possível! É até um pouco impressionante a forma unânime com que a peça foi recebida. É um baita espetáculo. Eu sou suspeito pra falar, mas eu tenho muito orgulho. Eu tenho certeza que essa montagem contribuiu muito para o teatro shakespeariano no Brasil, como uma forma de abordar um clássico. Gosto muito da ideia que o diretor sempre apoiou, que é a de promover a comunicação muito clara e objetiva da história, sem pretensão de ser maravilhoso, culto ou intelectual. Se tem uma coisa que é bacana nesse espetáculo é uma certa despretensão. A história está ali, inteira, do início ao fim, com entendimento claro e de trajetória dramática. Não tem pirotecnia, não tem um super cenário, é um ator contando uma história. É muito despretensioso e, ao mesmo tempo, muito poderoso. Acho que a crítica acompanhou um pouco dessa ideia, percebendo essa vontade que a gente teve de comunicar a história dessa maneira. As poucas críticas negativas que recebemos foram relacionadas a uma certa expectativa individual de uma ou outra figura. 90% das críticas foram positivas, a peça foi um sucesso.
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Como você consegue conciliar o seu trabalho com a família? Aí é que tá… eu não sei se dá pra conciliar. Esse é um dilema moderno, né? Mas é aquela história, a gente precisa conciliar, não tem como ser diferente. A velocidade com que a gente vive hoje não demanda muita conjectura, a gente não pode perder muito tempo pensando nas coisas se não a gente não faz. São os meus filhos, é a minha família, eles vão ser um produto da minha vida, é inevitável. Eu sempre falo pra eles que o trabalho do papai é na estrada e eles precisam entender. É claro que eu sinto falta, abro mão de estar com eles em muitos finais de semana, mas às vezes eu levo eles comigo… Então é isso, é você achar uma matemática onde você possa dar o que eles precisam.
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Você tem algum trabalho agendado na televisão para este ano? Tenho. Vou fazer a próxima novela das 6, chamada Joia Rara, uma novela de época, das décadas de 30 e 40, que eu adoro. Meu personagem é bem interessante, é político, movido com lutas de classe. Tô com saudade de fazer televisão. A peça Hamlet interrompe em maio e eu começo a gravar em junho.
Recife e Noronha são locais onde você já curtiu férias. Quais os seus programas preferidos por aqui? Eu venho muito a Recife, mas é sempre corrido, é sempre por causa de algum trabalho… mas em Noronha… ah, Noronha é um programa, né? Não dá pra dizer que em Noronha eu gosto de fazer tal coisa, estar lá já é um programa maravilhoso. Mas aqui em Recife eu gosto dos passeios no centro, com referências culturais… Além disso, o roteiro gastronômico da cidade é imperdível. Também curto ir em Brennand… Praia, é Porto de Galinhas e Muro Alto… Ah, não posso deixar de citar os passeios em Olinda. Eu gosto muito daqui! É muito bom voltar ao Santa Isabel, é um teatro imperdível. Eu fiz muita questão de trazer esta peça para Recife.
Como é o seu estilo quando não está trabalhando? Eu sou isso que você tá vendo… eu não me preocupo muito com roupa. Gosto da coisa do jeans e camiseta e geralmente ando de chinelo, sou mais largadão. O meu corpo está sempre em função do meu personagem… até dei uma engordadinha agora, mas estreei o Hamlet bem magro. O meu cabelo, por exemplo, eu mesmo estava cortando, mas parei por conta da novela. Eu gosto de cortar antes de entrar em cena, é uma coisa horrorosa. Tenho prazer em me disponibilizar para os meus personagens. A minha vaidade não passa pela coisa estética, mas por um lugar que tenha a ver com o meu personagem, onde eu possa contar bem as minhas histórias. O meu corpo acompanha bem essa ideia.
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E os próximos projetos? O Ron Daniels, diretor da peça Hamlet, é uma figura muito importante pro teatro brasileiro, é um cara que eu não pretendo deixar longe do Brasil por muito tempo. Estamos formatando uma coisa muito bacana, que é dar sequência a essa coisa do teatro shakespeariano aqui no Brasil. Tem mais dois espetáculos que queremos montar, centrados nesta ideia de comunicar as histórias e o pensamento de Shakespeare da forma mais objetiva possível, mas preservando o original. Talvez pro ano de 2015. Para agora, fora a novela das 6, tem um filme pra estrear em setembro, e é um filme que vai virar minissérie. Então temos várias coisas engatilhadas por aí.


Fonte: Ju Santos

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Túnel do Tempo: Thiago Lacerda no Sob Nova Direção!

Thiago encena HAMLET em Pernambuco

Thiago Lacerda apresenta temporada de Hamlet no Teatro de Santa Isabel  

Tragédia shakespeariana é encenada nesta sexta, sábado e domingo



Thiago Lacerda é Hamlet em espetáculo dirigido por Ron Daniels. Foto: João Caldas/Divulgação
Thiago Lacerda é Hamlet em espetáculo dirigido por Ron Daniels




"Ser ou não ser, eis a questão", diz o enigmático personagem shakespeariano, que é interpretado pelo ator Thiago Lacerda, no espetáculo Hamlet, que entra em pequena temporada, nesta sexta, sábado e domingo, no Teatro Santa Isabel. Sob direção de Ron Daniels, quinze atores entram cena para dar vida à tragédia que conta a história do fantasma do velho rei da Dinamarca à procura de seu filho e clamando por vingança.


As apresentações acontecem na sexta (3) e sábado (4) às 21h, e no domingo (5), às 19h. O espetáculo terá 2h45 de duração, com intervalo de 15 minutos. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada), e estão à venda na bilheteria do teatro e na Loja Samsung Experience, do Shopping Recife.



*Informações:

Hamlet, com Thiago Lacerda e grande elenco
Quando: Sexta (3) e sábado (4), às 21h e domingo (5), às 19h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Loja Samsung Experience (Shopping Recife)
Informações: (81) 3355-3323



Fonte: Diário de Pernambuco